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    Educação

    Apagão: Plataforma que reúne currículos de cientistas no Brasil chega ao 4º dia fora do ar

    Segundo pesquisadores, queima de servidor do CNPq é resultado direto do sucateamento da ciência brasileira promovido pela política de cortes do Governo Federal
    julho 27, 2021Atualização:julho 28, 2021Nenhum comentário4 min para ler
    Cortes nas bolsas do CNPq somam o valor de R$116 milhões (Foto: Herivelto Batista/Ascom MCTI)

    Desde sexta-feira (23), os principais sistemas federais da pesquisa científica brasileira estão fora do ar. O apagão nas plataformas Lattes e Carlos Chagas causado pela queima de um servidor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem afetado diretamente o trabalho de pesquisadores de todas as universidades do país – públicas e privadas – pois, além de reunir o currículo de milhares de pesquisadores, os sistemas também abrigam informações sobre a produção científica nacional em todas as áreas do conhecimento e operacionalizam chamadas públicas, editais de fomento à pesquisa e a gestão e pagamento de bolsas.

    Segundo pesquisadores e organizações ligadas à pesquisa científica, a falha técnica reflete o descaso do atual governo com a ciência brasileira. No ano em que completa o 70º aniversário, o CNPq tem o menor orçamento das últimas duas décadas.

    Em nota divulgada hoje, o CNPq informou que “o problema que causou a indisponibilidade dos sistemas já foi diagnosticado” e garantiu que “não há perda de dados da Plataforma Lattes”. O órgão também comunica aos pesquisadores que “o pagamento das bolsas implementadas não será afetado” e que todos os prazos de ações relacionadas ao fomento do órgão estão suspensos e serão prorrogados.

    Leia mais: Lei que destina R$ 3,5 bilhões para garantir o acesso à internet da educação básica pública é aprovada

    Ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o CNPq é responsável pelo fomento à pesquisa no país. Cerca de 84 mil cientistas são financiados com recurso do órgão. A aprovação das bolsas, bem como a gestão e o pagamento dos recursos dependem diretamente da consulta aos currículos na Plataforma Lattes e da operação da Plataforma Integrada Carlos Chagas. Além disso, outros órgãos como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e agências de fomento ligadas a governos estaduais também utilizam as informações contidas na Plataforma Lattes como referência para realizar suas operações.

    Repercussão

    Nas redes sociais, o diretor do Sindicato Nacional dos Gestores Públicos em Ciência e Tecnologia (SindGCT) e presidente da Associação de Servidores do CNPq (Ascon), Roberto Muniz Barreto atribuiu a falha no sistema ao descaso e desmonte promovidos pelo governo.

    “No momento em que mais o país precisa da ciência e tecnologia os sistemas do CNPq sofrem um apagão! Descaso e desmonte promovidos pelo governo. Não foi acidente”, escreveu.

    Para Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) o “apagão do CNPq é o negacionismo em estado bruto” e é “resultado direto o da política de cortes de Bolsonaro”.

    Segundo a associação, o CNPq conta, em 2021, com R$ 26 milhões para investir em fomento, quando precisaria de mais de R$ 150 milhões para atender a demanda das instituições de pesquisa. O déficit também acontece em relação às bolsas de estudo. De acordo com a ANPG, o CNPq investe cerca de R$ 943 milhões em bolsas, aproximadamente metade do valor reivindicado pelos pós-graduandos do país.

    Leia mais: “Fake News” volta a ser pauta no Congresso

    O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) e o economista, pesquisador e ex-BBB Gilberto Nogueira, o “Gil do Vigor”, também se pronunciaram nas redes. O parlamentar fez questão de lembrar que o orçamento do CNPq é o menor dos últimos vinte anos. Segundo Freixo: “Quando o Brasil mais precisa da ciência, bolsas e pesquisas estão paralisadas. É um projeto de destruição nacional”.

    Na mesma linha, Gil fez uma série de publicações em que comenta: “É grave. É retrocesso. Estamos falando do trabalho árduo de milhares de brasileiros. Ciência brasileira salva vidas, mas parece que nosso governo atual não tem interesse por vidas e nem conhecimento”.

    Leia mais: “O Brasil só precisa de uma coisa para acabar com a tragédia da fome: vontade política”, diz filho de Betinho

    No dia 21 de julho, a ASCON e a ANPG realizaram uma mobilização nas redes em defesa do CNPq e contra os recentes cortes de bolsas que somam o valor de R$116 milhões. Para chamar atenção para a causa, desde então as organizações tem usado a hashtag #salveOCNPQ em seus pronunciamentos públicos.

    Edição: Jaqueline Deister

    cnpq desmonte educação ensino superior pesquisa universidade
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    Filipe Cabral

    Repórter da Agência Pulsar Brasil.

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