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    Artigo | O presente que nenhuma loja pode vender: por que o Fim da Escala 6×1 é uma pauta materna?

    Redução da jornada de trabalho como uma necessidade básica de sobrevivência familiar
    maio 6, 2026Nenhum comentário3 min para ler
    Discurso que prioriza produtividade ignora que o tecido social depende também de mães com energia para exercer uma presença ativa e afetuosa (Foto: Giselly Barbosa)

    Por Maiani Gontijo

    “Quanto você ganha por hora, mamãe?”

    A pergunta carregada da inocência de uma criança, expõe na verdade a ferida aberta de uma realidade social brutal. Quando uma filha manifesta o desejo de “comprar” vinte e quatro horas da própria mãe para tê-la por perto, ela não está falando de finanças, mas sim denunciando um sistema que sequestra o tempo familiar em nome de uma produtividade exaustiva.

    Neste Dia das Mães, enquanto o comércio se esforça para vender flores e perfumes, um grito muito mais urgente ecoa das casas, dos ônibus lotados e das breves pausas para o café: o fim da escala 6×1 como uma necessidade básica de sobrevivência familiar.

    Cuidar de quem cuida

    Para a mulher que vive sob o regime de seis dias de trabalho para apenas um de descanso, a matemática da vida nunca fecha positivamente. A folga única, que deveria servir para o repouso e o lazer, acaba sendo integralmente consumida pelo chamado “trabalho invisível”, transformando-se no dia de colocar a faxina em dia, lavar pilhas de roupa e organizar os mantimentos da semana.

    Nesse cenário, o desenvolvimento dos filhos acontece nos intervalos, e momentos preciosos como apresentações escolares ou o simples ato de não fazer nada em conjunto são sacrificados. O resultado inevitável é o esgotamento mental e o burnout materno, já que a carga de gerir um lar sem tempo para o autocuidado compromete a saúde física e psicológica de toda a estrutura familiar.

    Defender o fim dessa jornada e a redução do tempo de trabalho é, antes de tudo, uma política de cuidado e uma defesa direta da instituição da família. O discurso econômico que prioriza índices de produção ignora que o tecido social depende de mães que tenham energia para exercer uma presença ativa e afetuosa.

    Tempo: patrimônio da família e não do patrão

    Filhos precisam de tempo de qualidade, e não apenas das sobras de disposição de uma mulher exaurida. Além disso, como as mulheres ainda são as maiores responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado no Brasil, a escala 6×1 as penaliza de forma desproporcional, obrigando-as a emendar uma jornada de exploração em outra, sem qualquer respiro.

    O movimento de mães pelo fim da escala 6×1 ganha força justamente porque entende que não se trata de uma vontade de “trabalhar menos”, mas do direito fundamental de viver com dignidade. Relatos como o da criança que quer comprar o tempo da mãe servem como um combustível doloroso para essa luta, provando que a economia deve servir às pessoas, e não o contrário.

    O melhor presente de Dia das Mães não cabe em uma caixa e não possui etiqueta de preço; ele se manifesta no direito ao descanso, na possibilidade de ver os filhos crescerem e na garantia de que o afeto não será mais negociado por horas de exaustão extrema. É por uma vida onde o tempo seja, finalmente, um patrimônio da família e não apenas do patrão.

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    Maiani Gontijo

    Maianí Gontijo é comunicadora social, assessora de imprensa, estrategista em Marketing Político, ex-Secretária de Comunicação, Cultura e Turismo de Itapuranga-Go, integrante da Associação de Mulheres na Comunicação (AMC) e da Rede de Mulheres da AMARC Brasil. Trabalha na área de assessoria de comunicação, da gestão pública cultural e de relacionamento.

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