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    América Latina e/y Caribe

    Com presença de brasileiros, curso em Caracas articula rede latino-americana de comunicação

    maio 28, 2026Atualização:maio 29, 2026Nenhum comentário4 min para ler
    Grupos do continente buscam alcançar unidade para gerar políticas de comunicação com olhar crítico e diversificado (Foto: LaUiCom / Divulgação)

    Via Brasil de Fato*

    Uma delegação brasileira de jornalistas e comunicadores participou do curso de Comunicação Política da Universidade Internacional das Comunicações (LaUiCom), realizado de 11 a 23 de maio de 2025, em Caracas, capital da Venezuela. O encontro reuniu 100 comunicadores de 22 países com o objetivo de articular uma frente continental contra a desinformação.

    O reitor internacional da LaUiCom, Fernando Buen Abad, afirmou que o objetivo é consolidar uma frente latino-americana internacionalista de comunicação crítica. “Sabemos que temos muitas coincidências com muito diversos grupos, organizações e formações comunicacionais em todo o continente. O que está nos faltando é colocar três ou quatro pontos de acordo para a unidade, não para a uniformidade, para a unidade. E para isso organizamos este diplomado em comunicação política para gerar políticas de comunicação”, afirma o professor.

    Construir uma comunicação libertadora

    Abad avalia que as novas disputas geopolíticas e o avanço da extrema direita intensificaram a guerra midiática contra países não alinhados a interesses hegemônicos. “Acreditamos que a agressão midiática piorou, que as condições de guerra midiática pioraram muito e queremos que nossos instrumentos de análise e de contraofensiva comunicacional estejam atualizados todo o tempo”, afirmou.

    A jornalista Paola Nogueira, de São Paulo, foi uma das participantes. Para ela, a realidade venezuelana contrasta com o que é retratado pela grande mídia brasileira. “É a primeira vez que eu venho para a Venezuela. Antes de vir, a gente tem uma impressão de que o clima aqui vai ser um pouco difícil, até pelo terrorismo que é pintado pela imprensa em geral. As coisas são normais, as pessoas vivem normalmente, as coisas funcionam, as pessoas são muito receptivas, são muito gentis”, relatou.

    Nogueira também destacou o engajamento dos participantes. “A expectativa aqui no curso é aprender ainda mais. Eu vejo que as pessoas estão muito empenhadas e têm um desejo muito grande de construir uma comunicação libertadora de fato, que seja ainda mais comprometida com a verdade. Nesse tempo de fake news, é muito importante que a gente se engaje nisso”, pontuou.

    Rafaella Coury, supervisora de edição do Brasil de Fato, falou sobre a responsabilidade de levar ao público uma visão diferente da que é difundida pela grande mídia. “A gente está por aqui mesmo, compartilhando com pessoas que moram aqui, que estudam aqui, que lecionam aqui. E a gente percebe o quanto as visões que temos são muito pré-moldadas, muito preconceituosas e ainda muito imperialistas em muitos sentidos”, disse.

    Desmontar a campanha de desinformação

    Para a editora do Brasil de Fato do Rio Grande do Sul, Kátia Marko, o projeto popular de comunicação só tem a ganhar com a participação no curso e a formação de uma rede de comunicadores em defesa da verdade.

    “Eu me sinto construindo uma história. O que o Brasil de Fato e o público do Brasil de Fato ganham, principalmente, é a possibilidade de saber a verdade sobre o que está acontecendo não só na Venezuela, mas em vários países da América Latina, porque a gente tem aqui todos os países da América Latina representados por pessoas muito qualificadas”, diz. “Todo mundo que está aqui neste curso tem uma grande caminhada na comunicação e não só na comunicação como na política e na construção de uma visão libertadora, de uma visão de uma América Latina unida e uma América Latina soberana. Me parece que saímos do discurso e estamos construindo na prática, buscando os meios para realmente termos esta América Latina”, avalia a jornalista.

    Por sua vez, Ednúbia Ghisi, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além da troca e do aprendizado, essa é uma oportunidade para se somar à tarefa de desmontar a campanha de desinformação sobre o país e contribuir com a resistência.

    “Aquilo que se diz sobre a Venezuela é muito diferente do que a gente consegue ver aqui e ouvir do povo venezuelano. A gente tem uma tarefa enorme que é de conseguir fortalecer essa voz popular, essa voz do povo organizado da Venezuela, e fazer ecoar também a experiência de resistência popular que esse país tem dado, tem mostrado para todo mundo”, diz a militante sem terra.

    * Reportagem: Leonardo Fernandes / Edição: Thaís Ferraz –  Brasil de Fato
    Editada por Sofía Hammoe

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