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    Direitos Humanos

    Comissão da ONU avaliará o Brasil quanto à eliminação da discriminação racial do país

    Grupo de avaliadores verificará se o país tem cumprido com os compromissos assumidos na Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial
    agosto 4, 2022Nenhum comentário2 min para ler
    Desde 1966 o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

    Redação

    A Organização das Nações Unidas (ONU) avaliará, ainda este ano, se o Brasil tem cumprido com o compromisso de eliminar a discriminação racial do país. A informação foi dada, na última quarta-feira (3), pela assessora de direitos humanos para o Alto Comissionário das Nações Unidas, Angela Pires, durante o 17° Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.

    Segundo Pires, o exame é feito periodicamente por uma comissão avaliadora que verifica quais políticas públicas e outras medidas têm sido implementadas pelo o Estado brasileiro para acabar de vez com o racismo em seu território. Desde 1966 o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial, assim como de outras nove convenções de direitos humanos na ONU.

    Leia mais: Quilombo nos Parlamentos: iniciativa do movimento negro apoia mais de 50 pré-candidaturas em todo país

    Ainda de acordo com a assessora da ONU, ao final da avaliação, o comitê responsável produzirá um relatório com recomendações ao país. As recomendações, contudo, não têm força de lei. Ou seja, embora a ONU possa cobrar o cumprimento de medidas dos países signatários da Convenção, na prática a entidade não tem o poder de punir os países, cabendo aos próprios Estados cumprirem ou não as recomendações.

    Em 2021, por exemplo, o Comitê sobre Desaparecimentos Forçados visitou o Brasil. Na ocasião, os avaliadores elogiaram o estabelecimento da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e a criação do Registro Nacional das Pessoas Desaparecidas, mas mostraram-se preocupados com denúncias recentes de desaparecimentos forçados, sobretudo de afrodescendentes e de moradores de favelas e periferias de grandes cidades. O grupo chegou a recomendar ao país “redobrar os esforços de combate à discriminação de grupos vulneráveis, como maneira de prevenir desaparecimentos forçados”.

    Leia mais: “A gente precisa reconhecer quem somos, de onde viemos e o que queremos”, diz ator em entrevista sobre o Dia da Consciência Negra

    De acordo com Angela Pires, até hoje nenhum país conseguiu eliminar totalmente a discriminação racial. No caso do Brasil, a assessora reconheceu que a extinção segue como um dos grandes desafios a ser enfrentados pelo país.

    Durante a participação no Congresso da Abraji, Pires destacou a importância da participação das organizações civis no combate a esse tipo de discriminação. Segundo ela: “Se ninguém fala nada, só vai ter a versão do Estado”.

    * Com informações do Correio Braziliense

    Edição: Jaqueline Deister

    direitos humanos discriminação racial onu racismo
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    Filipe Cabral

    Repórter da Agência Pulsar Brasil.

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