
Após os resultados do primeiro turno das eleições, que confirmaram a recuperação do candidato do partido governista, Sergio Massa, com quase 37% dos votos, e o garantiram no segundo turno contra o candidato da ultradireita, Javier Milei, que obteve quase 30% dos votos, o cenário eleitoral não apenas mudou, como também colocou em crise as atuais alianças partidárias, especialmente a liderada pelo ex-presidente Mauricio Macri, Juntos por el Cambio, que teve a pior eleição de sua história e ficou fora da disputa.
A vitória do partido governista, que recuperou oito pontos percentuais em relação ao resultado das primárias, e a estagnação da proposta da ultradireita, que chegou a perder 1,6% dos votos que havia conquistado, gerou confusão entre a oposição de direita do país.
Por um lado, Javier Milei se apressou em desmentir todas as críticas e insultos feitos durante a campanha contra seus adversários e até tentou construir pontes com a esquerda, a qual havia declarado guerra e chamado de “esquerdistas de merda”. A mudança de discurso, mesmo mascarada em sua batalha contra o oficialismo kirchenista, provocou surpresa tanto na mídia quanto entre seus próprios seguidores.
Mas o fato mais surpreendente foi o apoio que Milei recebeu da candidata macrista do Juntos por el Cambio, Patricia Bullrich. A terceria colocada no primeiro turno anunciou o apoio em uma coletiva de imprensa na última terça-feira (24), sem consulta prévia ao restante das forças políticas que compõem a coalizão (a Unión Civica Radical, o Peronismo Federal e Coalición Civica), o que provocou rejeição unânime e acusações de uma tentativa de romper a aliança.
Líderes do próprio partido de Bullrich e Macri expressaram publicamente sua oposição à decisão de apoiar Milei, que, segundo relatos, foi tomada em uma reunião privada realizada por Macri e Bullrich com a irmã e chefa de campanha do ultradireitista, Karina Milei.
A pressa de Macri em tomar partido por Milei colocou em crise uma importante aliança de centro-direita que foi protagonista de disputas eleitorais nos últimos 15 anos e muitos duvidam de sua continuidade após o segundo turno.
Essa situação não só alterou o cenário partidário, fragmentando as opções de centro-direita no país, como também facilitou o trabalho do partido governista e o diálogo que Sergio Massa mantém com os governadores da oposição, que não teriam mais a pressão interna para negociar com o candidato da Unión por la Patria.
Edição: Filipe Cabral
