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    No Rio, mulheres ocupam as ruas contra violência e retrocesso social

    março 10, 2017Atualização:abril 23, 2021Nenhum comentário2 min para ler
    https://www.radiotube.org.br/audio_novo.php?a=https://d1pf7bljyxxy7j.cloudfront.net/radiotube/167AVBZyBUljPwaxwO.mp3

    “Nem uma a menos!”. Com corpos pintados, cartazes, faixas e muita criatividade as feministas marcharam na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (8). As manifestantes denunciaram  o machismo, a desigualdade de gênero e o impacto do retrocesso político do país na vida das mulheres, com destaque para a Reforma da Previdência, que pretende igualar o tempo de contribuição entre homens e mulheres.

    De acordo com a organização da Greve Internacional de Mulheres no Rio, o ato reuniu cerca de 10 mil pessoas. A concentração ocorreu na Candelária a partir das quatro horas da tarde e terminou na Praça Quinze com performances e apresentações culturais.

    A boliviana Marcela Farfán mora no Rio de Janeiro há seis anos e faz parte do Coletivo Madalenas RJ e Mulheres Latino-Americanas. Para ela, as organizações e coletivos estão mais articulados  e diversos, incluindo uma maior aproximação entre o feminismo latino-americano. De acordo com Farfán, as manifestações feministas  estão ganhando proporções globais, principalmente por trazer à tona a discussão sobre ‘como seria a sociedade se as mulheres parassem de produzir’.

    Já a professora de Direito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Luciana Boiteux  ressaltou os ataques conservadores que o país tem sofrido. Segundo ela, o Brasil vive uma ofensiva conservadora machista refletida no próprio governo. Boiteux destacou que os órgãos que deveriam defender o direito das mulheres, estão perdendo status e estrutura na execução de políticas públicas voltadas para esse público.

    O esvaziamento dos órgãos destinados à defesa dos direitos da mulher pode ter uma consequência grave para a redução do índice de violência do principal grupo de risco: as mulheres negras. Dados  do Mapa da Violência 2015, apontam que os casos de homicídios de mulheres negras aumentou 54% em dez anos no Brasil, enquanto que o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%.

    Claudia Vitalino é presidente estadual da UNEGRO (União de Negros e Negras pela Igualdade). Segundo ela, o alto número de mortes de mulheres negras deve ser incorporado como uma das pautas principais do movimento feminista.

    As vozes que ecoaram pelas ruas cariocas exigindo o fim do assédio e o direito de escolha do próprio corpo não estavam sozinhas. Ao todo, 70 cidades brasileiras realizaram atos para mostrar que o papel da mulher está muito além de ‘cuidar dos afazeres domésticos’. (pulsar)

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