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    Renda média de brancos no Brasil é mais de 70% superior que a de pretos e pardos, aponta IBGE

    De acordo com estudo, mesmo entre pessoas de nível superior, brancos ganham, em média, 50% a mais que pretos e 40% a mais que pardos
    novembro 16, 2022Nenhum comentário3 min para ler
    Projeto defende a recuperação de perdas nas carreiras dos servidores públicos (Foto: Marcello Casal / Agência Brasil)

    Redação

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na última semana, um estudo que aponta que a cor da pele ainda é um fator relevante na diferenciação do rendimento mensal médio de trabalhadores no país. De acordo com o levantamento, em 2021 os brancos ganharam, em média, R$ 3.099, um valor 75,7% maior do que o registrado entre os pretos, que foi de R$ 1.764. A renda média dos trabalhadores brancos também supera em 70,8% a dos trabalhadores pardos, que foi de R$ 1.814.

    Intitulado Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, o estudo revela que a distância entre brancos e negros persiste mesmo entre pessoas com nível superior completo. Nesse grupo, o rendimento médio por hora dos brancos foi cerca de 50% maior que o dos pretos e cerca de 40% superior ao dos pardos. Além disso, embora representem 53,8% dos trabalhadores do país, pretos e pardos ocuparam em 2021 apenas 29,5% dos cargos gerenciais.

    Leia mais: Empresas de serviços por aplicativos não atendem padrões mínimos de trabalho decente no Brasil, afirma pesquisa

    Os brancos também têm sido menos afetados pelo desemprego. Enquanto a taxa de desocupação em 2021 para eles foi de 11,3%, entre a população preta foi de 16,5% e 16,2% para a população parda. Em relação ao trabalho informal – aquele associado ao trabalho precário e à ausência de direitos básicos, como aposentadoria e salário mínimo –, apenas os brancos se situam abaixo do índice nacional de 40,1%.

    Ao analisar a proporção de pessoas pobres no país, a pesquisa aponta que, no último ano, 18,6% dos brasileiros brancos estavam abaixo da linha da pobreza, isto é, viviam com menos de US$ 5,50 por dia, conforme uma das classificações do Banco Mundial. O percentual praticamente dobra entre pretos (34,5%) e pardos (38,4%).

    Indicadores

    Elaborada a partir do cruzamento de dados extraídos de mais 12 pesquisas do próprio IBGE, a segunda edição – a primeira foi em 2019 – do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil traz ainda informações atualizadas sobre patrimônio, educação, violência, representação política e ambiente político dos municípios.

    O levantamento constatou, por exemplo, que nos domicílios de pessoas brancas há maior presença de praticamente todos os bens duráveis analisados: geladeira, televisão, máquina de lavar, forno, micro-ondas, automóvel, computador, ar-condicionado, tablet e freezer. A única exceção foram as motocicletas, que aparecem com maior frequência em domicílios de pessoas pardas. No campo, entre os proprietários de terras com mais de 10 mil hectares, 79,1% se declaram brancos, 17,4% pardos e apenas 1,6% eram pretos.

    No recorte das vítimas de homicídio no país em 2020, a maior taxa foi registrada entre as pessoas pardas, com 34,1 mortes por 100 mil. Na população preta, o índice é de 21,9 mortes, enquanto entre os brancos é de 11,5.

    Os contrastes se repetem também no campo da educação superior. Enquanto na enfermagem, por exemplo, pretos e pardos representavam 43,7% dos alunos matriculados em 2020, no curso de medicina, o índice cai para 25%.

    Na análise dos dados de representação política nas eleições municipais de 2020, o IBGE verificou também que entre os candidatos a prefeito que realizaram campanhas com arrecadação superior a R$ 1 milhão, 67,5% são brancos.

    *Com informações da Agência Brasil

    Edição: Jaqueline Deister

    emprego e renda raça trabalho
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    Filipe Cabral

    Repórter da Agência Pulsar Brasil.

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