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    Vaza Jato: Procuradores da Lava Jato blindaram Temer às vésperas do golpe contra Dilma

    outubro 18, 2019Atualização:abril 8, 2021Nenhum comentário2 min para ler

    Nova reportagem da Vaza Jato divulgada nesta sexta-feira (18) pelo El País e Intercept Brasil revelou que a Operação Lava Jato protegeu o então vice Michel Temer para manter o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Apenas duas semanas antes da data de afastamento de Dilma, em abril de 2016, os procuradores receberam um “anexo-bomba” contra Temer, mas escolheram rejeitar a proposta de delação que poderia levá-lo a uma condenação por corrupção. No entanto, três anos depois, em março de 2019, a Lava Jato utilizou essa mesma delação para mover uma ação penal contra o ex-presidente e pedir sua prisão preventiva.

    A delação foi feita pelo empresário José Antunes Sobrinho, sócio da construtora Engevix, que relatou um pagamento de propina para Temer. Conversas no chat “Acordos Engevix” no Telegram mostram que procuradores de Curitiba, Rio e Brasília receberam a delação de Antunes em 4 de abril de 2016. O conteúdo da denúncia, batizada de “anexo-bomba”, dizia que Antunes fez um pagamento de um milhão para atender a interesses de Temer, como compensação por um contrato na usina nuclear Angra 3, da estatal de energia Eletronuclear.

    Segundo o empresário, o pagamento foi entregue a um amigo do ex-presidente, o coronel João Baptista Lima Filho. O dinheiro veio de uma companhia prestadora de serviço do Aeroporto de Brasília, controlado pela Engevix.

    No dia seguinte, 5 de abril de 2016, os procuradores comunicaram aos advogados de Antunes que não dariam prosseguimento às negociações da delação. “Pessoal de BSB e Lauro, o Antunes apresentou, neste momento, mais 2 anexos. Eles estão forçando a barra aqui. Informo que a opinião de CWB é contrária ao acordo”, afirmou o procurador Athayde Ribeiro, da força-tarefa de Curitiba. Em resposta, o procurador Lauro Coelho, da força-tarefa do Rio de Janeiro, disse que estava “ciente do teor”.

    O contexto da época era de grande tensão. No mesmo dia em que os procuradores de Curitiba receberam a delação contra Temer, o então advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, fazia a defesa de Dilma na comissão do impeachment da Câmara dos Deputados. A suspeita de que Temer era um dos articuladores do golpe passou despercebida na época, algo também endossado pela Lava Jato, que fechou pelo menos 108 acordos de delação naquele mesmo ano. (pulsar/revista fórum)

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