Sofía Hammoe
A capital federal recebeu, nesta terça-feira (14), a estação experimental da nova geração da radiodifusão unida à internet, que foi apresentada em parceria pelo Ministério das Comunicações, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A antena de transmissão tinha sido instalada no mês de fevereiro.
Entre as promessas da tecnologia estão saltos significativos na qualidade de áudio e vídeo, além de recursos como interatividade, recomendação personalizada de programas e a possibilidade de segmentar conteúdos por região. O modelo avança na convergência entre a transmissão tradicional e o mundo digital, incorporando características típicas das plataformas de streaming — sem perder a gratuidade nem a capilaridade que sempre marcaram a TV aberta no país.
Segundo especialistas consultados pela Pulsar Brasil, a transição do modelo atual para a TV 3.0 será gradativo e longo, garantindo que ninguém fique sem televisão. Mas é necessário lembrar que as pessoas precisam ter conexão à internet para usufruir as inovações desta tecnologia. Da mesma forma, meios comunitários, educativos e os de pequeno porte por enquanto terão dificuldades de transmitir com a nova TV digital.
Contudo, os aparelhos sem conectividade continuarão recebendo a programação normalmente e também está prevista a fabricação de conversores para adaptar os televisores antigos ao novo sinal.
Brasil na vanguarda
Com a iniciativa, o Brasil se posiciona entre as nações que lideram a evolução do meio, consolidando um passo estratégico rumo a uma televisão mais moderna e conectada à internet.
Outros países já adotaram um sistema semelhante ao do Brasil, ou estão em fase de estudo. Mas o modelo brasileiro é um híbrido entre diversas melhoras e inovações incluídas por vários países. Em agosto de 2025, o Ministério das Comunicações informou que “a escolha do padrão da TV 3.0 reflete a tradição de multilateralismo do Brasil, pois agrega tecnologias de diversas partes do planeta: EUA, Coréia do Sul, Alemanha, Canadá, China, França, Índia, Japão, Rússia e a União Europeia. São mais de 1 mil patentes adotadas para as diferentes camadas tecnológicas, por isso não há um padrão de nacionalidade”, afirma a nota do órgão.
Durante a inauguração, a presidenta da EBC, Antonia Pellegrino se referiu a esta política inovadora.
“É muito importante o dia de hoje, um marco para a comunicação pública, um marco para a comunicação brasileira, o início dos testes da TV 3.0. Assim como na transição do analógico para a TV digital, a EBC foi líder desse processo”, destacou Pellegrino.
Mais serviços públicos
Octávio Pieranti, hoje integrante do Conselho Diretor da Anatel, tem sua trajetória baseada no acompanhamento e atuação pelo desenvolvimento das diversas tecnologias de comunicação no Brasil. No evento de inauguração dos testes da TV 3.0, Pieranti enfatizou o caráter público da iniciativa e as funcionalidades do serviço para a televisão aberta no país.
“A TV 3.0, do jeito que ela foi concebida no Brasil, ela prevê uma plataforma de prestação de serviços públicos, no início, pelo Governo Federal, aliás, pelos três poderes federais, mas depois também pelo poder público estadual e municipal. E claro, ela traz também melhor qualidade de áudio e vídeo, ela traz mais interatividade, mais acessibilidade, eu tenho certeza que a televisão aberta brasileira, vai continuar tendo o protagonismo que ela sempre teve ao longo das últimas décadas aqui no nosso país”, assegurou o conselheiro.
Por sua vez, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho também colocou o foco nos benefícios para a população.
“Aqui hoje representa a comunicação pública como prioridade do nosso governo, fortalecendo jornalismo, fortalecendo o conteúdo local, para que a gente possa levar mais serviço público para nossa população”, indicou o ministro.
As etapas da implantação
Perguntado sobre a data para começar as transmissões em todo o país, Siqueira Filho afirmou que essa definição já foi tomada pelo Presidente Lula, mas tudo vai depender dos testes e das possibilidades das emissoras.
“A gente tem a expectativa de que será um período de transição, as duas tecnologias vão trabalhar em paralelo. Isso vai durar em torno de 10 anos, até que todas as emissoras se adaptem à nova tecnologia e isso vai depender dos investimentos de cada emissora de TV. A expectativa é que a partir de junho em São Paulo e Rio de Janeiro já esteja à disposição, porque as emissoras estão fazendo seus investimentos desde já.
Nesse primeiro momento aqui (Brasília), é o canal da EBC que estará em teste, à disposição para a população aqui do Brasil”, afirmou Siqueira Filho.
Pieranti ainda insistiu nas possibilidades de ampliar as prestações e a presença do Estado para a população.
“Acho importante destacar também que a gente está falando que, junto com o rádio, a televisão aberta é o meio de comunicação mais inclusivo que temos. O brasileiro assiste mais de 5 horas diárias de televisão como um todo e grande parte desse tempo é dedicado à televisão aberta. Então a gente está falando de uma plataforma muito importante que vai permitir que o Estado também esteja cada vez mais próximo do cidadão”, comemorou o conselheiro da Anatel.
Áudio Antonia Pellegrino
Áudio Octávio Pieranti
Áudio Frederico Siqueira Filho

